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Síndrome de Wolff-Parkinson-White


A síndrome de Wolff-Parkinson-White descreve a presença de uma via de condução acessória que une os átrios com os ventrículos associada a episódios de taquiarritmias.

Por costume, é também chamada síndrome de Wolff-Parkinson-White, aos sinais eletrocardiográficos de pré-excitação secundários à existência desta via acessória, embora não haja nenhuma taquicardia clínica ou palpitações.

Os pacientes diagnosticados com a Síndrome de Wolff-Parkinson-White, normalmente têm um risco ligeiramente mais elevado de morte súbita cardíaca em comparação com a população saudável. Risco que depende das características da via acessória.

Via Acessória Atrioventricular (Feixe de Kent):

Como comentamos, o substrato anatómico desta patologia é a presença de uma via acessória (Feixe de Kent) que liga, electricamente, os átrios com os ventrículos. Provocando uma segunda via de propagação do impulso eléctrico.

Anatomia da Síndrome de Wolff-Parkinson-White

Via Acessória no Wolff-Parkinson-White

  • 1. Sistema de condução normal.
  • 2. Via Acessória (Feixe de Kent).

O feixe de Kent é geralmente formado de fibras de miocárdio normal, que não têm o atraso fisiológico do nó AV, por isso, parte do miocárdio ventricular é despolarizado pela via antes de ser despolarizado pelo sistema de condução.

As manifestações clínicas e eletrocardiográficas da Síndrome de Wolff-Parkinson-White dependem das características da via (velocidade de condução, condução anterógrada, retrógrada ou bidirecional).


Eletrocardiograma da Síndrome de Wolff-Parkinson-White

O padrão eletrocardiográfico clássico de Wolff-Parkinson-White apresenta os sinais de Pré-excitação

Sinais Eletrocardiográficos de pré-excitação

Como o estímulo é iniciado no Nó Sinusal, a onda P é normal.

Na pré-excitação, os ventrículos são despolarizados partir de dois pontos diferentes, o feixe de His e a via acessória.

Normalmente a despolarização pela via acessória ocorre antes, portanto, o intervalo PR é encurtado e aparece uma onda Delta no início do complexo QRS, provocando um alargamento do mesmo.

Quando existe um elevado grau de pré-excitação (conduz mais pela via acessória que pelo sistema de condução), a morfologia do complexo QRS se assemelha à dos Bloqueios de Ramo, sendo mais alargados e aparecem alterações no segmento ST e ondas T negativas.

Resumindo:

  • Onda P sinusal, exceto outras alterações.
  • Intervalo PR encurtado (menor de 0.12s).
  • Onda Delta.
  • QRS alargado devido à presença de onda Delta.
  • Com altos grau de pré-excitação: QRS tipo Bloqueio de Ramo, e alterações da repolarização (ST e onda T).
Eletrocardiograma da Síndrome de Wolff-Parkinson-White

Wolff-Parkinson-White: PR encurtado (azul), QRS alargado por Onda Delta (vermelho)

Variabilidade do Eletrocardiograma na Síndrome de Wolff-Parkinson-White

Frequentemente o grau de pré-excitação varia, podendo ser distinto em dois diferentes electrocardiogramas, e por vezes, no mesmo ECG.

A velocidade da via acessória marca o grau de pré-excitação.

Se existe um maior grau de pré-excitação, a onda Delta é mais marcada, o QRS é mais largo e aparecem os distúrbios da repolarização.

Diferentes graus de pré-excitação no Wolff-Parkinson-White

Wolff-Parkinson-White:

ECG alternando batimentos cardíacos normais e outros com pré-excitação (PR curto, QRS largo, alterações da onda T).

Vias Acessórias “ocultas”

Uma via acessória que conduz somente retrogradamente (dos ventrículos para os átrios), continua a ter a capacidade de produzir Taquicardia de reentrada AV ortodrômica (ver abaixo).

Mas, ao não ter condução anterógrada (dos átrios para os ventrículos), não ocorrem as alterações típicas do pré-excitação no Eletrocardiograma, de modo que o ECG em Ritmo Sinusal é normal.

Por isso, são chamadas Vias Acessórias "ocultas", porque não podem ser diagnosticadas com um eletrocardiograma em Ritmo Sinusal.


Taquicardia na Síndrome de Wolff-Parkinson-White

Na síndrome de Wolff-Parkinson-White, existe um circuito formado pelos átrios, o sistema de condução, os ventrículos e a via acessória. Através deste circuito podem ser geradas Taquicardia de Reentrada Aurículo-Ventricular.

Taquicardia ortodrómica:

Taquicardia Ortodrómica da Síndrome de Wolff-Parkinson-White

Taquicardia Ortodrómica a 250 bpm
Taquicardia de QRS estreito, não há sinais de pré-excitação. Em vermelho as ondas P retrógradas

A mais comum na síndrome de Wolff-Parkinson-White. O estímulo elétrico passa dos átrios para os ventrículos pelo sistema de condução normal e retorna aos átrios pela via acessória. Sua morfologia é uma taquicardia de QRS estreito (se não houver outras alterações). Os sinais de pré-excitação não são observados durante a taquicardia.

Taquicardia antidrômica:

O estímulo passa a partir dos átrios para os ventrículos pela via acessória e retorna pelo sistema de condução normal. Sua morfologia é uma taquicardia de QRS largo e rítmica (é difícil de distingui-la da Taquicardia Ventricular), porque os complexos QRS têm a pré-excitação máxima.

Taquicardias geradas fora do circuito:

Taquiarritmias geradas nos átrios não relacionado com a Síndrome de Wolff-Parkinson-White (Fibrilação, Flutter ou Taquicardia Atrial), as quais são transmitidas para os ventrículos através da via acessória. Como a via não tem as propriedades de condução lenta do nó AV, pode causar frequências ventriculares perigosamente altas e gerar Fibrilação Ventricular.


Oturos tipos de pré-excitação: Síndrome de Lown–Ganong–Levine.

Esta síndrome é obsoleto, porque não foi confirmado o seu mecanismo eletrofisiológico. Atualmente, é aconselhável não usá-lo como diagnóstico.

A síndrome de Lown-Ganong-Levine foi descrito em 1952 e historicamente tem sido associado a uma via acessória que liga os átrios com a parte distal do Nó Atrioventricular.

Isto provoca que o estímulo ignore o atraso fisiológico do Nó AV e estimule o Feixe de His precocemente, continuando o estímulo pelo sistema de condução normal.

Eletrocardiograma da Síndrome de Lown-Ganong-Levine:

  • Onda P normal.
  • Intervalo PR curto.
  • Complexo QRS normal.
  • Onda T normal.
Eletrocardiograma da Síndrome de Lown-Ganong-Levine

Lown–Ganong–Levine: PR curto (azul), sem outra alteração

Resumindo, o eletrocardiograma da Síndrome de Lown–Ganong–Levine é caracterizado por um intervalo PR curto, sem outra alteração.

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