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Digoxina no Eletrocardiograma


Digoxina e Eletrocardiograma

A digoxina é o medicamento mais antigo da medicina cardiovascular que é utilizado na prática clínica atual  1.

O uso dos digitálicos gera alterações no eletrocardiograma em doses terapêuticas, sobretodo no segmento ST e na onda T.

Além disso, diminui a frequência cardíaca, en no caso de intoxicação, pode gerar uma grande variedade de arritmias.

Na actualidade, a principal indicação da digoxina é o controle da frequência cardíaca nos pacientes com fibrilação atrial e insuficiência cardíaca 3 4 5. Também pode ser utilizada nos pacientes com ritmo sinusal e com insuficiência cardíaca sintomática e FEVE ≤ 40% 5.

A digoxina inibe a bomba sódio-potássio ATPase provocando o aumento do tônus vagal acumulação de cálcio intracelular. Isto provoca o aumento da contratilidade miocárdica e a depressão vagal dos nós sinusal e atrioventricular 2.

Efeitos da digoxina

  • Inibe a bomba sódio-potássio ATPase.
  • Aumenta o K+ extracelular e diminui o K+ intracelular.
  • Aumenta o Na+ intracelular.
  • Aumenta o Ca+2 intracelular: Efeito inotrópico positivo.
  • Aumento do tônus vagal: depressão do nó sinusal e do nó atrioventricular.

A digoxina pode causar arritmias ventriculares e atriais, especialmente no contexto da hipocalemia, por isso é obrigatório realizar uma monitorização seriada dos eletrólitos séricos e da função renal.

Impregnação digitálica

A expressão impregnação digitálica significa que a digoxina está em níveis terapêuticos, se deve diferenciar da intoxicação por digoxina (veja abaixo).

A concentração sérica ótima da digoxina é de 0,5 ng/ml a 1,0 ng/ml. Devido ao margem terapêutico tão baixo, se devem controlar regularmente seus níveis séricos 6.

O tratamento com digoxina pode gerar alterações no eletrocardiograma devido a seus efeitos nas células miocárdicas e sobre o sistema de condução cardíaco.

Suas principais alterações são a nível do segmento ST e da onda T, embora também produz encurtamento do intervalo QT e prolongamento do intervalo PR.

Alterações no Eletrocardiograma causadas pela Digoxina

Alterações no eletrocardiograma pela digoxina
Segmento ST em “colher-de-pedreiro”, onda T bifásica, PR prolongado.

Alterações no ECG causadas pela digoxina:

  • Depressão côncava do ST em “colher-de-pedreiro” ou em “bigode de Salvador Dalí".
  • Ondas T planas, negativas ou bifásicas.
  • Depressão do ponto J.
  • Intervalo QT curto.
  • Intervalo PR prolongado (secundário ao aumento do tônus vagal).
  • Ondas U proeminentes.
  • Porção terminal da onda T pontiaguda.

Depressão do ST: colher-de-pedreiro, bigode de Salvador Dalí

O sinal eletrocardiográfico clássico da digoxina é a depressão côncava do segmento ST de forma cóncava denominada em “colher-de-pedreiro".

Também recebe outros nomes como em “bastão de hóquei " ou em “bigode de Salvador Dalí" por ter uma forma similar.

Eletrocardiograma em colher-de-pedreiro

Eletrocardiograma em colher-de-pedreiro
A depressão do ST tem formato em “colher de pedreiro".

Descenso del ST como el Bigote de Salvador Dalí

Extraído de Rapid Interpretation of EKG's copyright © 2016 COVER Publishing Co. Inc.

Em bigode de Salvador Dalí
O infradesnível do ST recorda ao bigode do famoso pintor.


Intoxicação digitálica

A digoxina tem um margem terapêutico estreito, o que implica que a dose tóxica é muito próxima à dose terapêutica. Pelo que a intoxicação digitálica é um problema frequente, além de grave e potencialmente letal.

O quadro clínico da intoxicação digitálica aparece com concentrações séricas por cima dos 2.0 ng/ml.

Os sintomas clínicos da intoxicação digitálica geralmente são as náuseas, os vômitos, diarreia, dificuldades visuais, confusão e hipercalemia severa 1.

As principais manifestações cardacas da intoxicação digitálica são variáveis. As mais frequentes são as extrassístoles ventriculares ou du nó AV, ou fibrilação atrial com resposta ventricular excessivamente lenta 6.

Também podem aparecer bloqueios sinoatriais, bloqueios atrioventriculares, taquicardia ventricular e fibrilação ventricular 1.

Tratamento da intoxicação digitálica

Ante a detecção de níveis séricos altos de digoxina na ausência de sintomas se deve verificar se o exame de sangue foi realizada antes das 6 horas desde a última dose da digoxina, porque pode ser a causa de de valores elevados no exame de sangue.

Se os valores são corretos se deverá suspender o tratamieto com digoxina e corrigir a hipocalemia e a hipomagnesemia se estivessem presentes. A administração de cálcio intravenoso é contra-indicada nestes casos porque poderia provocar arritmias letais.

Também se deve suspender o tratamento com medicamentos que aumentem as concentrações de digoxina ou que incrementem seus efeitos.

As bradiarritmias assintomáticas devem ser estreitamente monitorizadas e se deve administrar atropina nas bradiarritmias sintomáticas.

Nos pacientes com arritmias letais se deve administrar imunoterapia anti-digoxina (fragmentos Fab do anticorpo específicos contra a digoxina) 1 6.

Os pacientes que apresentam hipercalemia severa secundária à intoxicação por digoxina devem ser dializados.


Resumo

A digoxina gera alterações no eletrocardiograma a dose terapêuticas, a mais conhecida é a denominada em “colher-de-pedreiro”, embora também provoca alterações da onda T, encurtamento do intervalo QT e prolongamento do intervalo PR.

O margem terapêutico da digoxina e muito estreito o que implica que a intoxicação digitálica é uma complicação frequente e potencialmente letal.

A intoxicação digitálica pode gerar uma grande variedade de arritmias cardíacas. Podendo apresentar bradiarritimias severas, bem como taquicardias ventriculares ou fibrilação atrial.

Seu tratamento inclui a suspensão do tratamento com digoxina, a correção dos distúrbios electrolíticos associados e, em casos severos, a administração de imunoterapia anti-digoxina e diálise.

Esperamos que este artigo sobre a digoxina no eletrocardiograma lhe seja útil. Você pode permanecer connosco lendo outros artigos.

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Referências

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